Cortica

O Império da cortiça portuguesa: do Alentejo para o mundo

A cortiça é um tesouro natural que tem raízes profundas no solo português, em particular na região do Alentejo. 

 

Durante séculos, este recurso versátil e sustentável tem desempenhado um papel crucial na economia e na cultura de Portugal, e sua presença tem se estendido além das fronteiras, conquistando o mundo com sua versatilidade e apelo ecológico.

O Alentejo, região situada no sul de Portugal, é onde a cortiça encontra sua casa. O sobreiro, a árvore da cortiça, é uma espécie nativa abundante nesta área, prosperando nas condições climáticas mediterrâneas. Os sobreiros são cultivados e gerenciados de forma sustentável, garantindo a colheita responsável da cortiça, um processo que honra a árvore e sua capacidade de se regenerar.

A cortiça é um material que deriva do sobreiro. A sua utilização já acontece há milhares de anos e sendo um produto natural tem variadíssimas aplicações no mundo moderno.

 

O que é exatamente a cortiça?

É a camada mais externa da casca de duas espécies diferentes de carvalho que crescem no Mediterrâneo e na região Ibérica. A cortiça é extraída quando a árvore atinge os 20 anos e depois extrai-se o material de 9 em 9 anos. A duração média de vida de uma árvore deste tipo é de 150 anos.

Com uma produção significativa de cortiça, Portugal é líder mundial na indústria de transformação desse material. A cortiça é então processada em uma variedade de produtos surpreendentes, desde rolhas de vinho até revestimentos de piso, acessórios de moda, mobiliário e até mesmo componentes para aeroespacial.

Porque é que é um material tão útil?

A estrutura da cortiça possui muitas células vazias, o que a torna muito leve. Devido à sua baixa densidade, flutua sobre a água e é um material excelente para amortecimento e absorção sonora. É muito resistente e flexível, pelo que não é afetada facilmente por agressões do meio externo. A cortiça pode ser moldada em qualquer forma e é colhida por meios ambientalmente sustentáveis. Todas estas características tornam-na num material incrível!

 

A sua evolução ao longo dos anos

A cortiça tem sido usada ao longo dos anos sobretudo nas rolhas para garrafas de vinho. 

A História diz que o material foi encontrado pela primeira vez nos túmulos do Egito. Os antigos gregos e romanos faziam uso deste material para redes de pesca, sandálias, rolhas de garrafa e dispositivos de flutuação individuais para os pescadores. Os aldeões da época utilizavam-na na construção das suas casas devido às suas propriedades isoladoras pois assim conseguiam manter as casas quentes no Inverno e frescas no Verão. Também era utilizada nos solos pois é um material confortável e que impede o ataque de insetos e outras pragas.

Com o passar dos anos, o material continuou a ter como utilização principal as rolhas das garrafas. Até meados dos anos 1700 a cortiça era colhida onde as árvores nasciam. Devido ao seu sucesso, começaram a cultivar propositadamente árvores de cortiça. Em 1688 Pierre Pérignon inventou o champanhe e usou uma rolha de cortiça para selar a sua invenção.

Em 1890 uma empresa alemã desenvolveu um método para usar os restos deste material. Conseguiram obter um método em que a cortiça podia ser cortada em folhas e utilizada de diversas formas e foi assim que nasceu a cortiça aglomerada. John Smith descobriu que usando calor e pressão para libertar as resinas naturais, ele conseguia criar um conglomerado de partículas de cortiça que não precisavam de qualquer material a liga-las. Mais tarde, Charles McManus encontrou um método de produção de cortiça aglomerada que podia ser usado para forrar tampas de garrafa e, desde então, foram experimentadas várias formas de utilização dos restos de cortiça, de modo a não desperdiçar nada.

 

Como é que a cortiça é extraída?

A cortiça é extraída das árvores de carvalho usando um machado especialmente projetado para o efeito. São feitos cortes verticais e horizontais através da casca, tendo sempre o máximo cuidado para não atingir a parte viva da árvore. Normalmente, esta extração é feita no tronco mas nas árvores de maiores dimensões os ramos mais baixos também são utilizados. A camada externa é então removida.

A cortiça extraída fica exposta ao sol e à chuva durante 6 meses pois isto vai fortalece-la e nivela-la. Após este período, a cortiça é tratada com calor e água para remover sujidade e substâncias químicas indesejáveis. Este tratamento vai deixar a rolha mais macia e suave.

Posteriormente, o material com menor qualidade é raspado e retirado e o restante é deixado para curar e secar num ambiente escuro e húmido. As partes com maior qualidade vão ser utilizadas para construir rolhas de garrafas e a de menor qualidade vai ser transformada em cortiça aglomerada.

 

Indústria Vinícola de Portugal

A indústria vinícola de Portugal é vasta e, por sua vez, impulsiona a demanda por rolhas de cortiça, que são valorizadas por sua eficácia na preservação e envelhecimento do vinho. A cortiça também é amplamente utilizada na indústria do artesanato e da moda, proporcionando um material elegante e ecológico para bolsas, sapatos e acessórios.

Além da versatilidade e características naturais, a cortiça é valorizada por suas propriedades sustentáveis. Sua produção promove a preservação dos ecossistemas, já que os sobreiros absorvem dióxido de carbono, contribuindo para a luta contra as mudanças climáticas. Além disso, a produção de cortiça é uma fonte significativa de empregos nas áreas rurais de Portugal.

O império da cortiça portuguesa não é apenas sobre produtos; é sobre tradição, sustentabilidade e inovação. Ao levar a riqueza do Alentejo para o mundo, Portugal continua a afirmar seu papel como líder global na produção e no uso consciente deste recurso valioso, proporcionando um exemplo notável de como a indústria pode ser harmoniosa com a natureza.

Nas exportações, Portugal lidera com uma quota que ronda os 65%, e é, ainda, um grande importador mundial de cortiça que utiliza para transformação e posterior exportação. É também líder na área mundial de sobreiro e respetiva produção da cortiça. Saiba mais aqui.

Esta liderança coloca em Portugal a responsabilidade de levar a cortiça a todo o mundo.

A cortiça está presente em mais de 100 países que cedo se aperceberam das qualidades deste material 100% natural, amigo do ambiente, flexível. Para desvendar as suas potencialidades, a APCOR tem desenvolvido campanhas de divulgação da cortiça em mercados tradicionais (França, Espanha, Itália, Alemanha, EUA, Reino Unido) e em mercados que despertaram um pouco mais tarde para a cortiça (China, Brasil, Suécia, Dinamarca, Rússia, Japão, Chile, Argentina, África do Sul, Emirados Árabes, Canadá).

Um exemplo de referência é o revestimento do chão da famosa Capela de Westminster, em Londres, no Reino Unido. A cortiça portuguesa foi escolhida devido à durabilidade, isolamento acústico e características sustentáveis, oferecendo uma solução ecológica e estética agradável.

Portugal tem sido pioneiro na produção de calçado sustentável e amigo do ambiente, utilizando cortiça em solas e outros componentes, atraindo atenções internacionais e contribuído para o crescimento da indústria do calçado no país.

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